A segunda temporada de X-Men ’97 tinha uma missão complicada depois de uma primeira temporada praticamente impecável. E, apesar de começar com uma força impressionante, mostrando novamente por que os mutantes continuam sendo um dos grupos mais interessantes da Marvel, a temporada acaba tropeçando justamente quando mais precisava entregar.
O resultado é uma temporada que começa avassaladora e termina em um downgrade difícil de ignorar.
Apocalipse mostra por que é o maior vilão dos X-Men
Se existe um grande destaque nesta temporada, ele atende pelo nome de Apocalipse.
Desde os primeiros momentos, a presença do personagem eleva completamente o nível da história. Apocalipse não funciona apenas como mais um vilão poderoso: ele representa uma ameaça que consegue colocar os X-Men diante de conflitos muito maiores, tanto física quanto emocionalmente.
A temporada acerta ao tratar o personagem como uma verdadeira força da natureza. A sensação é de que estamos diante de alguém que está em outro nível, e isso faz com que os mutantes precisem lidar não apenas com seus poderes, mas com as consequências de suas próprias escolhas. É justamente nessa parte que X-Men ’97 mostra sua melhor versão.
Uma temporada que começa com tudo
Os primeiros episódios são extremamente eficientes em manter a identidade que fez a série original funcionar tão bem. A animação continua excelente, os personagens seguem bem desenvolvidos e a série consegue equilibrar ação, drama, nostalgia e momentos emocionais sem parecer simplesmente uma produção feita para agradar fãs antigos.
O problema é que essa qualidade não se mantém até o final.
A segunda temporada cria expectativas muito grandes e apresenta conflitos que parecem apontar para algo ainda maior. Só que, conforme a história avança, algumas dessas ideias começam a ser resolvidas de maneira cada vez menos satisfatória.
A troca de roteirista pesa no resultado
É impossível falar sobre a segunda temporada sem mencionar a saída de Beau DeMayo, responsável pela primeira temporada e demitido pela Marvel.
E aqui é importante fazer uma ressalva: esta crítica não é uma defesa de DeMayo ou das decisões que levaram à sua demissão. O ponto é perceber o impacto narrativo que a mudança parece ter causado na produção. Existe uma sensação muito clara de que a temporada perdeu parte de sua direção.
As ideias apresentadas no começo parecem maiores e mais ambiciosas do que aquilo que finalmente chega ao público. É como se existisse uma história muito mais complexa planejada para a temporada, mas a execução final não conseguisse transformar tudo aquilo em algo coeso.
Quem assumiu a continuidade do projeto conseguiu entregar bons momentos, mas parece não ter encontrado completamente a mesma identidade narrativa.
O final é o grande problema
E é justamente no final que X-Men ’97 mais decepciona. Depois de uma temporada que constrói tantas expectativas, a conclusão parece pequena demais diante de tudo que foi apresentado anteriormente.
O que poderia ser um encerramento épico acaba transmitindo uma sensação de “e se…?” pouco inspirada. Em determinados momentos, parece até que estamos assistindo a uma história alternativa que poderia funcionar como um episódio isolado, mas não necessariamente como a conclusão de uma temporada que vinha construindo algo muito maior.
É um contraste enorme com a primeira temporada. Aquela sensação de urgência e impacto que existia anteriormente simplesmente não está presente da mesma maneira aqui.
Pontos positivos
O maior ponto positivo da segunda temporada continua sendo a capacidade de X-Men ’97 de trabalhar seus personagens. A animação mantém um nível excelente, os conflitos entre os mutantes continuam interessantes e a presença de Apocalipse eleva bastante a temporada.
A série também continua sabendo utilizar a nostalgia sem depender exclusivamente dela. Existem momentos que claramente foram pensados para os fãs da animação clássica, mas que ainda funcionam dentro da narrativa atual.
Quando X-Men ’97 acerta, ela continua sendo uma das melhores produções animadas da Marvel.
Pontos negativos
O principal problema é a inconsistência da temporada. O começo promete uma história gigantesca, mas a execução perde força progressivamente até chegar a um final que não corresponde às expectativas criadas.
A troca de equipe criativa parece ter contribuído para essa sensação de falta de direção, principalmente porque algumas ideias parecem não receber o desenvolvimento necessário.
O final é o maior exemplo disso: depois de uma construção tão forte, a conclusão soa como um grande downgrade e deixa a impressão de que faltou tempo, planejamento ou simplesmente uma visão narrativa capaz de amarrar todas as pontas.
Vale a pena assistir à 2ª temporada de X-Men ’97?
Ainda existe muita coisa boa aqui. X-Men ’97 continua sendo uma série acima da média e tem personagens, momentos e sequências que justificam completamente a maratona.
O problema é que, quando comparamos a segunda temporada com a primeira, a queda é evidente. A temporada começa mostrando Apocalipse como um dos maiores vilões que os X-Men já enfrentaram e entrega uma sequência inicial realmente empolgante. Porém, conforme a história avança, a série perde força até chegar a um encerramento que parece muito menor do que aquilo que estava sendo construído.
No fim, fica aquela sensação incômoda de que havia uma história muito melhor para contar, mas ela não conseguiu chegar à tela da maneira que deveria.
X-Men ’97 ainda merece ser acompanhada e continua sendo uma das melhores animações da Marvel, mas sua segunda temporada está longe de alcançar o nível da primeira. Começa como uma avalanche e termina como um What If… bastante fraco.
