Quem acompanha a antologia Monstro, da Netflix, já sabe que Ryan Murphy e Ian Brennan não costumam economizar nas cenas perturbadoras. Em Monstro: A História de Lizzie Borden, a dupla volta a explorar um caso criminal famoso, mas o resultado vai muito além de uma dramatização policial. Temos uma história sombria, personagens cheios de conflitos e uma quantidade generosa de sangue, tripas e cérebros amassados.
E, olha, nós gostamos muito do que encontramos aqui! A nova temporada consegue construir uma narrativa envolvente, misturando drama de época, suspense psicológico e momentos de terror explícito. É uma série que sabe provocar desconforto, mas também entende que o horror pode ser uma experiência de entretenimento, especialmente para quem gosta de produções que não têm medo de exagerar.
O único problema é que, em alguns momentos, a história parece demorar mais do que deveria para chegar ao próximo acontecimento importante. São oito episódios que poderiam funcionar ainda melhor com uma edição mais enxuta. Mesmo assim, isso não apaga os méritos de uma temporada que entrega um slasher surpreendentemente eficiente.
Quem foi Lizzie Borden?
A série parte da história de Lizzie Borden, mulher que ficou conhecida nos Estados Unidos após ser acusada de assassinar o pai e a madrasta a machadadas, em 1892. O caso ganhou enorme repercussão e atravessou gerações, alimentando o imaginário popular em torno de um dos julgamentos criminais mais famosos da época.
A produção utiliza esse episódio histórico como ponto de partida para construir sua própria narrativa. Em vez de se limitar à investigação, a trama acompanha o ambiente familiar opressivo em que Lizzie vive, seus conflitos e as relações que ajudam a moldar os acontecimentos.
É justamente aí que a série encontra sua força. O horror não começa apenas quando a violência explode na tela. Ele também está na rotina, nas relações de poder e na sensação de aprisionamento que acompanha os personagens.
Vale lembrar que estamos diante de uma dramatização, não de um documentário. A produção mistura acontecimentos históricos com elementos ficcionais e liberdades narrativas. Por isso, quem quiser conhecer o caso real precisa separar o que é apresentado como entretenimento daquilo que possui comprovação histórica.

Uma história muito bem construída
Um dos maiores acertos da temporada está na maneira como os acontecimentos são organizados. A narrativa desenvolve os conflitos familiares e as relações entre os personagens antes de avançar para suas consequências mais violentas. Isso ajuda a dar contexto à história e faz com que os momentos mais extremos tenham um peso maior.
A série também trabalha bem a atmosfera de época. Existe uma sensação constante de desconforto, alimentada pelas convenções sociais, pelas aparências e pela posição que cada personagem ocupa dentro daquela estrutura familiar. Por trás da fachada de respeitabilidade, há muita crueldade.
Essa construção torna a experiência mais interessante do que uma simples sequência de assassinatos. Mesmo quando o gore assume o protagonismo, existe uma história conduzindo os acontecimentos e criando expectativas sobre o que está por vir.
O problema é que a produção nem sempre sabe a hora de acelerar. Algumas passagens se alongam mais do que o necessário, e determinados conflitos poderiam ser desenvolvidos de maneira mais direta. Não chega a comprometer a temporada, mas fica aquela sensação de que uma história tão bem planejada poderia ser ainda mais eficiente com menos episódios.
Sangue, tripas e cérebros amassados: o slasher não economiza
Se você gosta de terror com violência gráfica, prepare-se. Monstro: A História de Lizzie Borden não está interessada em deixar tudo fora de quadro para que o espectador imagine o pior. A série faz questão de mostrar o resultado da brutalidade, com sangue por toda parte e cenas que podem provocar tanto repulsa quanto aquele sorriso de quem pensa: “Caramba, eles realmente fizeram isso!”.
É nesse aspecto que a temporada se aproxima de um slasher. Embora tenha uma estrutura de drama criminal e terror psicológico, a violência gráfica ocupa um espaço importante na experiência. Os assassinatos são apresentados com uma intensidade que transforma determinados momentos em verdadeiros espetáculos macabros.
E não estamos falando apenas de algumas manchas de sangue na parede. Temos violência explícita, tripas e cérebros amassados, com efeitos visuais que reforçam a brutalidade dos acontecimentos. Para quem gosta de filmes de terror que ultrapassam os limites do bom gosto, a produção oferece bastante material.
O interessante é que esse exagero combina com a proposta da série. A violência não é o único elemento que sustenta a narrativa, mas ajuda a estabelecer sua identidade. O desconforto faz parte da experiência, e a produção sabe utilizar o choque para manter o espectador atento.
Claro que não é para todo mundo. Quem prefere terror sugerido, construído principalmente pela atmosfera e pelo suspense, pode achar algumas cenas excessivas. Mas, para os fãs de gore e slashers, essa disposição para mostrar o lado mais grotesco da história é um dos grandes atrativos.
O elenco ajuda a sustentar a loucura
A temporada conta com Ella Beatty no papel de Lizzie Borden, ao lado de nomes como Vicky Krieps, Charlie Hunnam, Rebecca Hall e Sarah Paulson. O elenco ajuda a dar corpo aos conflitos da narrativa e evita que a série dependa exclusivamente de suas cenas violentas para manter o interesse.
Ella Beatty tem uma tarefa especialmente importante: conduzir uma personagem cercada de contradições, expectativas sociais e acontecimentos extremos. A interpretação contribui para que Lizzie não seja apenas uma figura associada a um crime famoso, mas alguém que ocupa o centro de uma história marcada por tensões e ambiguidades.
A presença de atores experientes também fortalece os confrontos dramáticos. Afinal, por mais que o sangue seja um dos grandes chamarizes, a série precisa convencer o público a se importar com os personagens antes de colocá-los diante de situações cada vez mais perturbadoras.
Essa combinação entre atuação, construção narrativa e violência é o que faz a temporada funcionar. O gore chama a atenção, mas é o drama que dá sustentação à história.
O problema dos oito episódios
Apesar de todos os elogios, não dá para ignorar que a temporada poderia ser mais curta. São oito episódios, alguns com duração próxima de uma hora, e nem todos parecem aproveitar esse tempo com a mesma eficiência.
A construção dos personagens e do ambiente é importante, mas existem momentos em que a narrativa poderia avançar com mais agilidade. Algumas passagens acabam prolongando conflitos que já estão suficientemente estabelecidos, diminuindo um pouco o impacto do que vem depois.
Uma temporada com menos episódios poderia manter os elementos mais importantes, preservar o desenvolvimento dos personagens e chegar aos acontecimentos decisivos com um ritmo ainda melhor.
Isso não significa que a série seja mal construída. Pelo contrário: justamente por existir uma boa estrutura narrativa, fica a impressão de que alguns cortes tornariam o conjunto mais forte. É uma produção que gostamos de acompanhar, mas que poderia ser mais objetiva sem perder sua identidade.
Monstro: A História de Lizzie Borden vale a pena?
Monstro: A História de Lizzie Borden é uma ótima pedida para quem gosta de terror sangrento, histórias criminais e produções que misturam drama com violência explícita. A temporada consegue transformar um caso histórico conhecido em uma narrativa sombria, bem construída e cheia de momentos perturbadores.
O que mais gostamos é que a série não depende apenas do choque. Existe uma história sendo desenvolvida, relações que ajudam a explicar os conflitos e uma atmosfera que mantém o desconforto mesmo quando não há sangue na tela. Quando a violência aparece, porém, ela vem com força total.
Nosso principal problema está no ritmo. Oito episódios parecem mais do que o necessário para contar essa história, e alguns momentos poderiam ser encurtados para tornar a experiência ainda mais envolvente.
Ainda assim, o saldo é muito positivo. A produção entrega um slasher incrível, com muito sangue, tripas e cérebros amassados, sem abandonar a construção dramática que sustenta a trama. Para quem gosta de terror gráfico, é uma temporada que merece entrar na lista.
Nossa nota: 8,5/10.














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