Be My Horde transforma inimigos em um exército. Jogos do gênero roguelite survivor ganharam bastante espaço nos últimos anos, mas ainda existe espaço para boas ideias dentro de uma fórmula que já conhecemos. Be My Horde aposta justamente em uma proposta simples e divertida: em vez de sermos nós mesmos os responsáveis por eliminar todos os inimigos, assumimos o papel de uma poderosa necromante que transforma seus adversários derrotados em parte de seu próprio exército.
Para esta review, jogamos a versão de PC de Be My Horde enviada pela assessoria de imprensa, e a experiência mostrou um game que sabe aproveitar bem sua principal mecânica para criar partidas caóticas, divertidas e cada vez mais estratégicas.
Você não luta sozinho — você cria a própria horda
A principal diferença de Be My Horde para outros survivor roguelites está justamente na maneira como o combate funciona.
Você controla a necromante, mas boa parte do trabalho é realizado pelos minions que fazem parte da sua horda. Conforme avançamos pelo mapa, derrotamos inimigos e podemos transformar esses adversários em novos integrantes do nosso exército. A sensação de começar com poucos aliados e terminar uma partida cercado por uma verdadeira multidão de criaturas é uma das partes mais legais da experiência.
E existe uma satisfação especial em perceber que um inimigo que inicialmente parecia uma ameaça pode acabar se tornando mais uma ferramenta para aumentar nosso poder.
A horda é a verdadeira protagonista
O conceito de transformar inimigos em recursos funciona muito bem porque faz com que o jogador pense não apenas em sobreviver, mas também em aumentar e administrar sua horda. Quanto maior o exército, maior é a sensação de poder. Ao mesmo tempo, o jogo coloca cada vez mais inimigos na tela, criando aquele tradicional caos dos survivor roguelites.
É justamente nesse momento que Be My Horde encontra seu melhor ritmo. A tela começa relativamente tranquila, mas, conforme a partida avança, tudo fica cada vez mais frenético. São inimigos por todos os lados, ataques acontecendo simultaneamente e uma quantidade enorme de criaturas lutando ao seu lado.
Um roguelite que recompensa a evolução
Como esperado do gênero, cada partida também serve para experimentar diferentes possibilidades de evolução.A ideia é encontrar combinações que façam sua necromante e seus minions ficarem cada vez mais eficientes. Isso cria aquela vontade de iniciar “só mais uma partida” para testar uma nova estratégia.
Esse é um dos pontos em que Be My Horde consegue ser bastante competente. Mesmo quando uma tentativa termina antes do esperado, existe a sensação de que a próxima partida pode ser diferente. E isso é fundamental em um roguelite.
O caos funciona a favor do jogo
Uma das características mais interessantes de Be My Horde é justamente o seu caos. Quando o exército cresce, acompanhar tudo o que está acontecendo na tela pode parecer uma tarefa complicada. Porém, esse excesso de inimigos e aliados faz parte da identidade do game.
A sensação é de estar comandando uma verdadeira avalanche de mortos-vivos. Para quem gosta de jogos em que começamos relativamente fracos e terminamos praticamente dominando a tela, a proposta funciona muito bem.

O que poderia ser melhor?
Apesar de termos gostado bastante da experiência, Be My Horde não reinventa o gênero. Sua principal força está na mecânica de transformar inimigos em minions e na fantasia de comandar uma enorme horda, mas quem já jogou muitos survivor roguelites encontrará várias estruturas familiares.
Isso também pode fazer com que algumas partidas pareçam semelhantes depois de algumas horas, principalmente para jogadores que já conhecem muito bem as convenções do gênero.
Outro ponto é que o excesso de caos, embora seja divertido, pode dificultar a leitura do que está acontecendo em determinados momentos. Quando a tela está completamente tomada por inimigos e aliados, nem sempre é fácil identificar rapidamente cada ameaça. Ainda assim, são problemas que não chegam a comprometer a diversão proporcionada pelo jogo.
Pontos positivos
Be My Horde acerta principalmente ao colocar sua mecânica de necromancia no centro da experiência. Transformar inimigos derrotados em novos membros da horda cria uma dinâmica interessante e faz com que o jogador tenha uma relação diferente com os adversários.
O crescimento do exército também proporciona alguns dos melhores momentos do jogo. Ver a pequena horda inicial se transformar em uma multidão capaz de enfrentar praticamente qualquer coisa é extremamente satisfatório.
Além disso, o ritmo das partidas funciona bem para quem procura uma experiência rápida, caótica e com bastante espaço para experimentar diferentes estratégias.
Pontos negativos
O principal problema é que Be My Horde ainda segue uma fórmula bastante conhecida pelos fãs de survivor roguelites. Embora a ideia da horda seja interessante, a estrutura geral não foge completamente do que já vimos em outros jogos do gênero.
Também existe uma certa dificuldade de leitura visual quando a tela fica muito cheia. O caos é parte da diversão, mas em alguns momentos pode deixar os combates um pouco confusos. Nada disso, porém, tira o mérito da proposta principal.
Vale a pena jogar Be My Horde?
Be My Horde é um jogo que entende exatamente o que pretende entregar. Ele não precisa reinventar o gênero para ser divertido. Sua grande sacada está em colocar o jogador no papel de uma necromante e transformar os próprios inimigos em recursos para construir um exército cada vez maior.
Para quem gosta de roguelites survivor, jogos de hordas ou simplesmente da fantasia de controlar um exército de mortos-vivos, existe aqui uma experiência bastante divertida.
O mais importante é que o jogo consegue entregar aquela sensação gostosa de evolução que faz o gênero funcionar tão bem: começar com pouco, sobreviver, ficar mais forte e, algumas partidas depois, olhar para a tela e perceber que você simplesmente criou uma horda gigantesca capaz de destruir tudo pelo caminho.
Be My Horde é uma boa pedida para quem procura um survivor roguelite divertido, caótico e com uma mecânica de necromancia que dá personalidade à experiência.
Be My Horde não revoluciona o gênero, mas encontra uma maneira divertida de colocar sua própria identidade na fórmula. A possibilidade de transformar inimigos em parte do seu exército é simples, funciona e, principalmente, é muito divertida.
Para esta review, jogamos a versão de PC de Be My Horde enviada pela assessoria de imprensa.
