Euphoria estreia na HBO

Euphoria | Análise Primeira Temporada

Fomos privilegiados em poder acompanhar uma série sobre adolescentes e seus problemas que não é “boba”, pelo contrário, se mostra adulta e trata a depressão, ansiedade e o uso de drogas de maneira séria, mas sendo doce e brutal ao mesmo tempo. Essa é Euphoria, uma daquelas séries que nos tocam e mexem com nossos sentimentos mais profundos, uma história grandiosa e ao mesmo tempo simples que nos faz pensar mais sobre problemas cotidianos e doenças dos tempos modernos.

Euphoria conta o dia-a-dia de um grupo de estudantes do ensino médio, a medida que eles exploram novos amores e amizades em um mundo de sexo, drogas, traumas e mídias sociais.

A série começa com Rue (Zendaya) voltando da clínica de reabilitação após uma overdose sofrida em sua casa. Rue além de ser a protagonista ainda é a narradora, o que torna a metalinguagem da série mais evidente e faz a personagem quebrar a quarta parede em alguns momentos.

Rue acaba contando a partir de seu ponto de vista (deixando isso bem claro durante a narração), sobre alguns amigos e conhecidos do colégio. Todos com problemas de relação, seja amoroso ou social, mas principalmente problemas psicológicos que em alguns casos são deixados de lado por familiares e até mesmo entre os amigos.

Um dos pontos positivos é o visual da série que conta com uma fotografia impecável e com uma paleta de cores que traduz sempre os sentimentos distorcidos e confusos dos personagens. Nos momentos em que Rue (Zendaya) e os demais personagens estão confusos e prestes a se drogar ou tomar alguma decisão importante e duvidosa a cena apresenta umas mudanças de cor do azul para o roxo. Isso unido a trilha sonora, que está sempre presente em momentos chave, faz com que as cenas se tornem muito mais angustiantes e nós como expectadores conseguimos sentir toda a bagunça e desconforto do personagem.

Alguns problemas abordados durante a Euphoria são muito relacionados aos adolescentes americanos e acredito que muito mais difíceis de se identificar, como o dos jogadores de futebol americano Mckay que foi estuprado por seus “colegas” de equipe da faculdade e sofre a pressão do pai para ser o melhor. Pressão essa que Nate Jacobs (Jacob Elordi) também sente e acaba não sabendo lidar muito bem, se tornando um adolescente abusivo com seus amigos e principalmente com sua namorada, Maddy (Alexa Demie) a cheerleader do colégio.

Os arcos que mais chocam e nos fazem pensar são os das personagens interpretadas por Zendaya, Hunter Schafer, Sydney Sweeney e Barbie Ferreira. Começando a personagem Cassie ( Sydney Sweeney), uma menina linda e popular que é mal vista pelos alunos por ter sua vida sexual exposta em vídeos na internet. Cassie ao decorrer da série se mostra uma pessoa completamente diferente, na verdade é apenas uma menina que sofre desde criança com abusos de homens mais velhos que sempre apontam sua aparência como o seu maior atributo.

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Kat, interpretada por Barbie Ferreira, conhece sua sexualidade e se mostra a personagem mais forte da série, e vamos descobrindo isso durante toda a temporada. Sendo muito diferente de Jules Vaughn (Hunter Schafer), que no início parece ser alguém determinada e bem consigo mesma, mas na verdade sofre com sua “diferença” e com a pressão que lhe é imposta por estar mudando o destino da protagonista, mesmo que esse destino esteja voltado para a melhora de Rue.

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Finalmente chegamos em Rue (Zendaya), uma personagem complexa que lida com problemas de ansiedade e está em depressão profunda, o que faz com que seu relacionamento com drogas pesadas seja sempre estreito e perigoso. Durante toda a temporada acompanhamos as fases da depressão e do uso de drogas pela visão de alguém que está psicologicamente e fisicamente doente, Rue nos mostra a sua visão de Mundo e a sua realidade enquanto utiliza os entorpecentes e também, quando está longe deles por algum tempo.

Conseguimos ver e sentir esses momentos graças a interpretação magistral de Zendaya, que é uma estrela em ascensão e tem muito para mostrar ainda, e também, graças aos olhos e mente de Sam Levinson, diretor e escritor da série. Tudo é muito bem amarrado e contado com delicadeza quando é preciso e com brutalidade quando o momento assim pede.

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E a já famosa cena final, conta com um musical que transparece a dor de toda a trajetória da protagonista e acaba nos levando ao fundo de sua psique e deixando a dúvida da interpretação. Assim Rue parece morrer, ou se afunda ainda mais em seu estado de depressão, o que nos faz lembrar que esse estado é o mesmo que a morte. Apenas a segunda temporada de Euphoria pode nos dar uma esperança de que esse não é o final, e sim, que esse estado em que Rue se encontra é apenas uma fase e que podemos sim sair do meio do montante de corpos e reviver, pois Rue nos mostra que sempre existe uma Luz a sua frente.

Euphoria vale ser assistida mais de uma vez e merece uma segunda temporada (já confirmada), porque nós fãs amamos e acreditamos na força daquelas personagens.


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