Documentário dirigido por Paulo Henrique Fontenelle acompanha a iniciativa de jovens refugiados congoleses que transformam a realidade de um campo no Malaui por meio da educação, da solidariedade e da união comunitária.
O documentário ‘Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados’ ganhou seu trailer oficial e já tem data para chegar aos cinemas brasileiros: 12 de novembro. Dirigido por Paulo Henrique Fontenelle e produzido por Iafa Britz, o longa apresenta histórias de esperança e resistência no Campo de Refugiados de Dzaleka, no Malaui, a partir da iniciativa de jovens congoleses que encontraram na educação uma forma de transformar a vida da comunidade.
Com imagens da dimensão do campo e relatos de seus protagonistas, o trailer apresenta a realidade de pessoas que convivem diariamente com as dificuldades do deslocamento forçado e com a falta de oportunidades. Ao mesmo tempo, mostra como a mobilização coletiva pode abrir caminhos para mudanças, mesmo em um cenário marcado pela vulnerabilidade social.
A mensagem que orienta o documentário é expressa pelo conceito de Ubuntu: “Eu sou porque nós somos”. A ideia de que a existência individual está ligada à coletividade atravessa a história e ajuda a compreender como a união pode se tornar uma ferramenta de resistência.
Jovens refugiados transformam a realidade por meio da educação
O filme acompanha Maick Mutej, Prince Kalolo, Felly B. Zihalirwa e Frank Donatien, quatro jovens congoleses que desenvolveram o projeto educacional Nação Ubuntu dentro do Campo de Refugiados de Dzaleka. A iniciativa também contou com a participação da brasileira Clarissa Paz, que deixou o Brasil para se dedicar ao trabalho humanitário no Malaui.
Mais do que registrar uma experiência de transformação social, o documentário dá visibilidade às pessoas que vivem em um contexto de crise humanitária. Entre os desafios enfrentados pelos refugiados estão as condições precárias de vida, as restrições de circulação, as dificuldades para exercer profissões e a falta de documentação ou de reconhecimento de cidadania.
A produção também aborda a hostilidade enfrentada por parte da população local e chama atenção para crises humanitárias no continente africano, especialmente na República Democrática do Congo, marcada por conflitos armados que nem sempre recebem a mesma atenção da imprensa internacional.
Como nasceu o documentário ‘Nação Ubuntu’
A origem do projeto está ligada ao trabalho da produtora Iafa Britz com a Fraternidade Sem Fronteiras, organização humanitária que ela conheceu durante uma viagem a Moçambique, em 2015. Em 2019, após visitar o Malaui, Iafa convidou Paulo Henrique Fontenelle para conhecer a iniciativa desenvolvida no campo de Dzaleka. A experiência despertou no diretor a ideia de transformar aquela realidade em documentário.
Em março de 2020, Iafa Britz, Paulo Henrique Fontenelle, o diretor de fotografia Julio Cesar Siqueira e Andrei Moreira, diretor voluntário da organização, passaram dez dias no campo. Durante a visita, conheceram de perto o projeto educacional criado pelos quatro refugiados congoleses e por Clarissa Paz.
A produção precisou ser interrompida em razão da pandemia de COVID-19 e só conseguiu retomar as filmagens cinco anos depois, com uma equipe mais estruturada. Nas duas etapas, profissionais locais foram treinados e integrados ao trabalho, participando da realização do filme.
O documentário também conta com a consultoria de Renato Noguera, escritor e pesquisador dedicado à história da África e à causa negra.
Estreia nos cinemas e participação em festivais
Antes de chegar ao circuito comercial, ‘Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados’ teve sua estreia mundial na Première Brasil do Festival do Rio e integrou a programação da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, com sessões previstas para os dias 19 e 21 de outubro.
O longa conta com investimento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), é produzido pela Migdal Filmes e tem distribuição da Downtown Filmes, além de lançamento exclusivo Aquarius.
Ao colocar no centro da narrativa as histórias de refugiados que buscam reconstruir suas vidas, o documentário propõe um olhar sobre as dificuldades enfrentadas por essas populações sem deixar de mostrar iniciativas que surgem dentro das próprias comunidades. A história de Nação Ubuntu mostra como a educação, a solidariedade e a ação coletiva podem representar caminhos para construir novas perspectivas em meio à crise.
‘Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados’ estreia nos cinemas brasileiros em 12 de novembro.














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