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Beetlejuice 2: quando a nostalgia não consegue ressuscitar a magia do original

Sabe quando Hollywood decide revisitar um clássico décadas depois e você começa a se perguntar se alguém realmente tinha uma boa história para contar ou se a ideia era apenas aproveitar a nostalgia dos fãs? Infelizmente, Os Fantasmas Ainda se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice, continuação de Os Fantasmas se Divertem, de 1988, é exatamente esse tipo de filme.

Tim Burton retorna ao universo que ajudou a consolidar sua identidade no cinema, com Michael Keaton, Winona Ryder e Catherine O’Hara de volta aos seus personagens. A produção também apresenta Jenna Ortega, Monica Bellucci, Willem Dafoe e Justin Theroux. Temos nomes interessantes, um mundo cheio de possibilidades e uma franquia que poderia render uma continuação muito divertida.

O problema é que, em vez de construir uma história que justifique esse retorno, o filme parece acreditar que trazer os personagens de volta e repetir elementos conhecidos é suficiente. O resultado é uma sequência confusa, cheia de tramas paralelas e que tenta despertar lembranças do original o tempo todo, mas acaba se afastando justamente daquilo que tornou o primeiro filme tão especial.

Para nós, é uma daquelas continuações que simplesmente não precisavam acontecer.

Beetlejuice está de volta, mas a história não sabe para onde ir

A trama retoma a história da família Deetz muitos anos depois dos acontecimentos do primeiro filme. Lydia, agora adulta e apresentadora de um programa sobre fenômenos sobrenaturais, continua marcada por suas experiências com o mundo dos mortos. Sua relação com a filha adolescente, Astrid, também ocupa um espaço importante na narrativa.

Quando uma nova tragédia reúne a família, os acontecimentos aproximam novamente Lydia do universo sobrenatural e fazem com que Beetlejuice volte a entrar em cena.

A premissa tem potencial. A relação entre mãe e filha poderia oferecer uma nova perspectiva para esse universo, enquanto o retorno do bioexorcista abriria espaço para mais situações absurdas e para o humor macabro que marcou o original.

Só que o roteiro parece querer contar várias histórias ao mesmo tempo. Além do conflito familiar, temos personagens novos com seus próprios interesses, tramas envolvendo o mundo dos mortos e diferentes ameaças que disputam a atenção do espectador.

Em vez de essas histórias se complementarem, muitas vezes parece que estamos assistindo a pedaços de filmes diferentes reunidos na mesma produção. Algumas ideias são apresentadas com destaque, desaparecem durante um bom tempo e depois retornam quando o roteiro precisa resolver tudo de uma vez.

A sensação é de que existe muita coisa acontecendo, mas pouco espaço para desenvolver qualquer uma delas com a profundidade necessária.

A nostalgia vira muleta

Não existe problema em uma continuação recuperar elementos de um filme querido. Afinal, parte da graça de reencontrar personagens conhecidos está justamente em perceber o que mudou e o que permaneceu igual depois de tantos anos.

O problema começa quando a nostalgia deixa de ser um complemento e passa a funcionar como a principal justificativa para a existência da sequência.

Beetlejuice 2 parece acreditar que basta trazer de volta rostos conhecidos, repetir referências e resgatar situações familiares para recriar a experiência do primeiro filme. Só que o original não conquistou o público apenas por causa de seus personagens ou de suas cenas engraçadas. Ele tinha uma identidade própria, um universo estranho e uma história relativamente simples que permitia explorar toda aquela criatividade.

Aqui, a quantidade de referências acaba chamando mais atenção do que a construção de uma narrativa realmente interessante. Em diversos momentos, parece que o filme está preocupado em lembrar ao espectador por que ele gostava de Beetlejuice, em vez de apresentar um novo motivo para gostar desse universo.

É uma tentativa constante de recuperar a magia do passado sem compreender completamente o que fazia aquela magia funcionar.

E o resultado é frustrante. Em vez de sentirmos que estamos reencontrando um universo querido, temos a impressão de assistir a uma produção que depende demais da memória afetiva do público.

Michael Keaton continua sendo Beetlejuice, mas isso não resolve tudo

Michael Keaton retorna ao papel com a energia caótica que tornou o personagem tão marcante. Seu Beetlejuice continua sendo uma figura inconveniente, grotesca e imprevisível, capaz de roubar a cena quando finalmente recebe espaço para fazer suas maluquices.

O ator claramente entende o personagem, e existe uma satisfação em vê-lo novamente com o figurino característico e aquela personalidade que parece não respeitar absolutamente ninguém.

O problema é que nem mesmo esse retorno consegue compensar as falhas da produção. Beetlejuice continua divertido em vários momentos, mas está inserido em uma história que nem sempre sabe como utilizar seu potencial.

Winona Ryder também retorna como Lydia, agora lidando com as responsabilidades da vida adulta e com os conflitos envolvendo a filha. Jenna Ortega assume o papel de Astrid, enquanto Catherine O’Hara volta a interpretar Delia Deetz.

O elenco tem nomes capazes de sustentar uma comédia sobrenatural bastante divertida, mas muitos personagens parecem disputar espaço em um roteiro que não consegue equilibrar suas histórias. Há ideias interessantes espalhadas pela produção, porém nem todas recebem o desenvolvimento necessário para realmente fazer diferença.

É frustrante porque não estamos diante de um universo sem potencial. Estamos diante de um filme que tinha personagens, atores e possibilidades suficientes para construir algo muito melhor.

O mundo dos mortos continua interessante, mas falta uma história à altura

Visualmente, o universo de Tim Burton ainda tem personalidade. A mistura de cenários extravagantes, criaturas grotescas, humor macabro e elementos artesanais continua sendo um dos aspectos mais interessantes da franquia.

O mundo dos mortos oferece possibilidades praticamente ilimitadas, e o filme apresenta momentos em que essa criatividade aparece com força. Existem criaturas estranhas, situações absurdas e ideias visuais que combinam com o estilo do diretor.

Mas existe uma diferença entre ter boas ideias visuais e conseguir transformá-las em uma história envolvente.

O primeiro Beetlejuice conseguia equilibrar sua criatividade com um conflito central fácil de acompanhar. A estranheza do universo ajudava a contar a história, em vez de competir com ela.

Na continuação, muitas sequências parecem existir porque são visualmente interessantes ou porque permitem uma piada, uma referência ou uma nova excentricidade. O problema é que nem sempre elas contribuem para o desenvolvimento dos personagens ou para o avanço da trama.

É como se o filme estivesse tão ocupado mostrando tudo o que pode fazer dentro daquele universo que esquecesse de estabelecer por que deveríamos nos importar com o que está acontecendo.

Uma continuação que confunde quantidade com diversão

O excesso de subtramas é um dos maiores problemas de Beetlejuice 2. A produção apresenta conflitos suficientes para sustentar várias histórias, mas tenta acomodar todos eles em um único filme.

Isso prejudica o ritmo e enfraquece o impacto de acontecimentos que poderiam funcionar muito melhor se tivessem mais espaço. Alguns personagens parecem importantes em determinados momentos, mas depois ficam esquecidos enquanto a narrativa se concentra em outra coisa.

Quando chega a hora de conectar essas peças, a sensação é de que o roteiro está tentando fechar uma lista de pendências. Os acontecimentos se acumulam, as situações mudam rapidamente e a história perde parte da clareza que precisava para manter o espectador envolvido.

O humor também sofre com essa estrutura. Embora existam momentos divertidos, as piadas nem sempre têm espaço para funcionar naturalmente, porque o filme está constantemente mudando de assunto ou introduzindo um novo elemento.

O resultado é uma experiência irregular. Há momentos em que reconhecemos o potencial daquele universo, mas eles acabam diluídos em uma narrativa que parece incapaz de escolher o que realmente importa.

Beetlejuice 2 vale a pena?

Sinceramente, Beetlejuice 2 foi uma decepção para nós. Não porque seja impossível revisitar um clássico décadas depois, mas porque essa continuação não consegue apresentar uma história suficientemente interessante para justificar o retorno.

Michael Keaton continua divertido no papel, o universo visual de Tim Burton ainda tem personalidade e algumas ideias funcionam muito bem isoladamente. Porém, esses acertos não conseguem esconder uma narrativa confusa, carregada de subtramas e excessivamente dependente da nostalgia.

O filme parece mais preocupado em recuperar a sensação de assistir ao original do que em construir uma experiência nova. E essa é justamente a sua maior falha: tentar reproduzir o passado sem compreender que uma continuação também precisa ter algo próprio a dizer.

No fim, ficamos com a impressão de que Beetlejuice 2 não precisava existir. Não porque o universo não mereça novas histórias, mas porque esta não parece encontrar uma justificativa convincente para continuar de onde o primeiro filme parou.

É uma pena, porque havia potencial para uma aventura sobrenatural divertida, bizarra e criativa. Em vez disso, recebemos uma produção que tenta ser muitas coisas ao mesmo tempo e acaba se perdendo no próprio caos.

Nossa nota: 5/10.

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