dark - netflix

Dark | Confira nossa Análise das três temporadas

"O fim é o começo e o começo é o fim" ....

Dark é uma produção alemã da Netflix, lançada em 2017, que acabou ganhando muitos fãs após sua segunda temporada e agora, mesmo com o lançamento de seu final, ainda está “explodindo cabeças”. E claro, que não poderíamos deixar de analisar a série que com certeza vai continuar com teorias e explicações por muitos anos, tudo isso graças a qualidade de seu roteiro, elenco e direção.

Nós do site NãoSeiNada decidimos analisar tudo de uma vez, pois desde o começo os criadores da série disseram que tudo seria contado em três temporadas, logo após o final da primeira a Netflix revelou que a segunda estava confirmada, sendo assim, preferimos esperar o termino, pois – “O fim é o começo e o começo é o fim”.

Em Dark, quatro diferentes famílias – Kahnwald, Nielsen, Doppler e Tiedemann – vivem em Winden, uma pequena e aparentemente tranquila cidade alemã. A rotina dos moradores vira de cabeça para baixo quando duas crianças desaparecem misteriosamente, nas proximidades de uma antiga usina nuclear. Segredos familiares começam a emergir à medida que a polícia investiga os sumiços e logo percebe-se uma relação com eventos também sombrios do passado. O tempo e o espaço parecem se embaralhar cada vez mais, deflagrando uma série de tragédias que, curiosamente, se repetem a cada geração.

Essa sinopse se encaixa apenas para o início da primeira temporada, já que Dark é essencialmente uma série sobre viagem no tempo, com sua trama se passando na cidade fictícia de Winden, na Alemanha, e acontecendo de forma não linear, alternando um vai e volta entre 1953, 1986 e 2019. Essas datas formam a Triquetra, simbolo usado no cristianismo, na magia, na bruxaria, na Wicca e em geral no Ocultismo. A triquetra, em latim triquætra, é similar a um tríscele e pode ser interpretada como uma representação do Infinito nas três dimensões ou a Eternidade.

dark

Toda a série referencia a Triquetra, a viagem no tempo, o Dejavu tão conhecido por conta do filme Matrix, citado durante toda série, já que um Dejavu nada mais é do que uma falha na Matrix… Todos nós Nerds sabemos disso, mas também significa: um galicismo que descreve a reação psicológica da transmissão de ideias de que já se esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo. Sendo assim, na série é vista como uma sensação de algo que já aconteceu se repetindo diversas vezes.

Nas duas primeiras temporadas temos uma ótima história de viagem no tempo, daquelas que possuem causa e consequência quando temos um ou mais viajantes.

Os objetos de cena, figurinos e trilha sonora deixam o expectador sempre inteirado de qual momento estamos vendo, seja década de 50, de 80 ou em 2019. Esse capricho da produção faz com que a série consiga dedicar muito mais tempo nos diálogos filosóficos e no drama muitas vezes detetivesco que nos envolve e, quando damos conta, estamos tão interessados que nos vemos “ajudando” os personagens a desvendar todos os enigmas em Winden.

A viagem no tempo em Dark é tanto filosófica como cientifica, nos fazendo mergulhar em uma ficção de alto nível, discutindo determinismo e livre arbítrio, além, é claro, de discutir possibilidades catastróficas dentro do ser e do existir.

A série se baseia em A Máquina do Tempo de H. G. Wells, além de muitas referências bíblicas, como no caso dos nomes dos personagens onde Jonas seria o mensageiro de Deus, Noah seria Noé já que o personagem está ali para salvar e as pessoas que vão recriar o mundo, Adam seria Adão o primeiro homem e Eva a primeira mulher.

Outras referências usadas e explicadas de maneira simples e muito bem feitas na série são as teorias cientificas que envolvem a viagem no tempo, descritas no livro “Uma Viagem no Tempo” escrito na série pelo personagem H.G. Tannhaus. Como observamos no caso da Máquina do Tempo de Claudia e Jonas Adulto, e a constante pergunta de quem foi o seu criador. A resposta está no momento em que Ulrich Nielsen perde seu celular em 1953 na loja de Tannhaus, e a explicação por sua vez está no Paradoxo de Bootstrap.

Paradoxo de Bootstrap, ou paradoxo ontológico, é um paradoxo da viagem no tempo em que as informações ou objetos podem existir sem terem sido criados. Após um objeto — ou informações — ser enviado de volta no tempo, ele, recebido no presente, torna-se o próprio objeto ou informação que será inicialmente levado de volta no tempo.

Sendo assim quando Claudia deixa a planta da maquina para H. G. Tannhaus criar e Ulrich Nielsen já tinha perdido um objeto do futuro na loja esses aparelhos acabam fazendo parte desse Paradoxo e sua origem deixa de ser do futuro ou do passado.

Outro questionamento dentro da série é o fato de Jonas não conseguir parar o loop, como em De Volta para o Futuro onde Martin Mcfly precisava consertar o passado para garantir sua existência no futuro, isso até seria simples para Jonas, mas descobrimos que não poderia ser feito dessa maneira já que ele estava preso no Paradoxo do Avô.

Paradoxo do avô refere-se às inconsistências que podem vir a surgir no presente caso o passado seja mudado. Por exemplo, uma viagem ao passado pode impedir que esta mesma viagem seja possível, ou mesmo que o viajante exista. O nome deste paradoxo vem de uma das suas primeiras descrições: uma pessoa viaja para o passado e mata o seu avô antes dele conhecer a sua esposa, que é a avó dessa pessoa. Dessa maneira, a existência do pai ou mãe dessa pessoa, e consequentemente dela própria, torna-se impossível. Surge então um paradoxo temporal e um conflito lógico de existência a partir do momento que se altera os acontecimentos do passado responsáveis pela sua existência.

Sendo assim, Jonas não consegue se matar e nem deixar de existir, já que seu eu do futuro já existe e continua com seus planos em prática constante. O mesmo acontece com Martha que não pode morrer ou deixar de existir.

Essas teorias nos levam ao final da série, onde descobrimos que tudo é um grande Loop Temporal, que por tentar deixar de existir por milhares de vezes acaba criando um infinito que nunca termina.

dark

Dark nos apresenta desde o começo que a vida daquelas pessoas está presa um tipo de Triqueta, mas mesmo quando somos apresentados para Adam e Eva os mesmo observam apenas dois lados, o bom e mal, o claro e o escuro.

Um roteiro muito bem escrito que nos deixa vidrado no Oroboros (símbolo do infinito) e nos faz esquecer que se são três momentos no tempo que unem os personagens, porque não três mundos que se unem também?

Claudia é a unica que percebe isso, e desde a segunda temporada tenta avisar Adam de que ele não sabe jogar o jogo. E é apenas no final da série que descobrimos por Claudia que várias tentativas foram feitas em varias realidades. Adam e Eva tentam viver e morrer e isso sempre se repete com seu filho como o grande viajante do tempo e entre mundos, fazendo com que tudo se repita novamente inúmeras vezes.

Claudia é por sua vez a única que está de fora e entendendo tudo o que acontece. Assim tenta fazer com que Adam enxergue além de sua dualidade e faça Jonas e Martha darem um fim aquelas duas realidades que foram criadas por H. G. Tannhaus no terceiro Mundo, o real dentro da série.

Durante o epílogo vemos a atualidade do único mundo que realmente existiu, uma realidade sem aqueles que não faziam parte do mundo original. Um final corajoso e redondo, digno de uma das melhores historias sobre viagem temporal e dimensional já feitas, Dark nos fez filosofar sobre existência, sobre criação, sobre sermos apenas humanos e errarmos por amor e ódio. Dualidades que fazem parte de um todo, que são muito mais que duas palavras ou dois sentimentos, e com isso Dark merece, sem a menor dúvida, ser chamada de a melhor série da Netflix.

CONFIRA MAIS SOBRE DARK EM NOSSO PODCAST QUE SAIRÁ EM BREVE!

Confira também nossas redes sociais:

Facebook – https://www.facebook.com/sitenaoseinada/

Instagram – @sitenaoseinada

Twitter – @sitenaoseinada

CONHEÇA NOSSO PODCAST

NãoSeiNada Podcast é o podcast do site Não Sei Nada que tem o intuito de trazer humor para os temas mais diversos do universo Nerd/Geek. Apresentado por amigos que adoram falar sobre esses assuntos sempre que estão juntos, de uma maneira descontraída e sem grandes pretensões, apenas para mostrar nosso amor e paixão pela cultura Pop.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: