Crossplayer Márcia Tirésias

Crossplayer – Márcia Tirésias

Os Cosplayers são um show a parte em todos os eventos que participam e seus praticantes nos surpreendem cada vez mais com o detalhamento em vivenciar seus personagens favoritos. Esse universo cresce a cada dia e novas vertentes passam a integra-los Cosplayer, Ero-Cosplayer, Crossplayer, Genderplayer e nada melhor do que conversarmos com quem o vivencia para conhecer cada uma delas. Então vamos conversar com a consultora industrial Márcia Terésias, 45 anos, para saber mais sobre o pouco conhecido Crossplay.


Cross, vem da palavra oposto/contrário então o Crossplay é a vertente onde seus praticantes realizam o Cosplay caracterizados de um personagem oposto ao seu sexo. É muito comum vermos mulheres como personagens masculinos, geralmente de animes pela facilidade de caracterização, delicadeza dos traços orientais e androgenia, assim como já se torna comum homens caracterizados de personagens femininas.

Vale lembrar que a mudança do gênero do personagem também faz parte do universo Cosplay, mas é denominada como Gender Bender ou Genderplay e vamos falar sobre ele em uma próxima oportunidade.

Voltando ao Crossplay a prática descende do Crossdressing (ato de se vestir como alguém do sexo oposto) e não tem qualquer relação com a orientação sexual ou identificação de gênero de seus praticantes, tanto no Cosplay quanto no Crossplay o que manda é a vontade de vivenciar aquele personagem. Agora vamos saber um pouco mais da experiência da Márcia Tirésias crossplayer da Arlequina (Margot Robbie) e da Mulher-Maravilha (Gal Gadot) e como conheceu o universo Cosplay.

Crossplayer Márcia Tirésias
Crédito: Arquivo Pessoal / Márcia Tirésias

Site NãoSeiNada – Como conheceu o universo cosplay e porque a escolha do crossplay?
Márcia Tirésias – Sempre gostei de quadrinhos de heróis, romances fantásticos, ficção científica e jogos de RPG. Fantasia e Imaginação sempre foram importantes para mim. Na época de estudante universitária cheguei a organizar um evento de quadrinhos. Esse envolvimento com Cultura Geek e amor por Fantasia acabou me fazendo criar interesse por Cosplay, pois representava a oportunidade de incorporar os personagens fantásticos de que gostava tanto.
Além disso, desde criança gosto de me travestir. Sou um homem que adora personificar uma mulher. Era natural que acabasse me interessando pelo Cosplay de personagens femininos, ou seja, o Crossplay.

Crossplayer Márcia Tirésias
Crédito: Arquivo Pessoal / Márcia Tirésias

Site NãoSeiNada – Como definiria o que é e o que define/ diferencia um crossplayer?
Márcia Tirésias – Acho que as melhores palavras são Arte e Coragem. Arte, para mim, é a melhor palavra que define todo o trabalho e energia que depositamos na obtenção dos acessórios, roupas e maquiagem. Sem falar no esforço de interpretação de um personagem que possui naturalmente características físicas bem diferentes, por ser do sexo oposto.
Além disso, Crossplay exige Coragem. Os preconceitos ainda são muito fortes no Brasil, país marcado por altos indicadores de violência contra travestis e transexuais. Interpretar um personagem do gênero oposto sempre implica em riscos de ouvir um desaforo gratuito ou até mesmo se envolver em violência.

Site NãoSeiNada– E como essa vertente é vista pelos cosplayers e visitantes de eventos nerd/geek?
Márcia Tirésias – Pela minha própria experiência e relatos de outros, eu percebo uma aceitação geral da prática, cada vez maior e isso é bem legal. Por outro lado, percebo que ainda existe um estranhamento, causado por falta de informação, e preconceitos, manifestados em episódios esparsos de zombaria, desaforos, frieza, etc.
Cosplayers estão mais acostumados conosco e a grande maioria nos acolhe muito bem. Os visitantes, por outro lado, ainda estão se acostumando com o fenômeno. A boa notícia é que mesmo em eventos enormes, como a CCXP, muitos visitantes, mesmo os complemente leigos, tem lidado razoavelmente bem com o Crossplay.

Crossplayer Márcia TirésiasSite NãoSeiNada – E na sua opinião quais são as maiores dificuldades para realizar o crossplay?
Márcia Tirésias – Eu acredito que a maior dificuldade é a de atingir o objetivo estético. Eu, como homem, tenho dificuldades naturais em criar a silhueta feminina, reproduzir os movimentos mais delicados. Mulheres Crossplayers, por outro lado, têm a dificuldade natural de criar a imagem muscular e forte do padrão social masculino.

Site NãoSeiNada– E você já sofreu algum tipo de discriminação ou preconceito em eventos que participou?
Márcia Tirésias – Nunca! Acho que tive sorte. Sempre fui muito bem tratada. Mesmo visitantes leigos adoravam vir falar comigo e faziam elogios. Uma família fez questão que eu tirasse fotos com todos e a menina deles, uma garotinha de uns quatro anos, me deu um beijinho na bochecha! As únicas situações chatas que vivi vieram de pessoas que filmavam e tiravam fotos sem pedir permissão antes, ou então chegavam muito perto fisicamente, sem respeitar o espaço pessoal.

Site NãoSeiNada– O que é mais importante na escolha do personagem que irá vivenciar, fidelidade na caracterização ou identificação?
Márcia Tirésias – Seguramente o grau de identificação e afeto que você tem pelo personagem que vai interpretar.

Crossplayer Márcia Tirésias
Crédito: Arquivo Pessoal / Márcia Tirésias

Site NãoSeiNada – A CCXP se tornou uma referencia de evento nerd no Brasil, mas existem diversos outros eventos regionais muito bons em todos os estados. O que acha destes eventos? Participa de algum? O que ainda falta? Existe uma boa estrutura para os cosplayers e crossplayers?
Márcia Tirésias – Não tive ainda experiência com os regionais de menor porte, mas acho importantíssimo que eventos assim existam, fora do mainstream. É nos pequenos eventos que novas idéias surgem e o Cosplay se torna realmente popular.
Uma coisa que poderia melhorar em todos os eventos (incluindo a CCXP) é a oferta de descontos para Cosplayers. Os Cosplayers são também parte das atrações, não somente parte do público. Deveria haver uma compensação por esta contribuição voluntária para o sucesso do evento.

Site Não Sei Nada – Você já se tornou a Arlequina da Margot Robbie e a Mulher-Maravilha da Gal Gadot durante a CCXP, então para finalizar que dica ou conselho daria para quem está pensando em se aventurar neste universo?
Márcia Tirésias – Acho que prudência nunca é demais para garantir que a experiência seja prazerosa. Recomendo a Crossplayers que tomem algumas precauções, como estarem sempre em grupos e verificar com antecedência o espaço onde irão se trocar. Eu tenho reparado que assuntos relacionados a Gênero estão obtendo visibilidade cada vez maior. O Crossplay é um deles. Convido todos a se informarem mais sobre o assunto, sem medo ou opiniões preconcebidas. Vale a pena, é mais um aspecto da maravilhosa diversidade da vida!

E para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o trabalho da Márcia acesse seu Instagram @marciatiresias

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