Cosplayer – Gleiciene Barbosa

Super heroína, vilã, mutante, extraterrestre e o que mais a sua imaginação decidir, a mágica do cosplay é que você tem a liberdade de se tornar quem quiser e viver este personagem exaltando todas suas qualidades e personalidade da forma que desejar. Em nosso espaço Cosplay desta semana vamos conhecer um pouco mais sobre os Cosplayers com Gleiciene Barbosa, 30 anos, em uma interessante entrevista onde falamos sobre sua entrada no universo cosplay além de temas como o sexismo de personagens femininos, dificuldades e espaço em eventos para cosplayers no Brasil, entre outros. Confira:

Como começou sua aventura no universo Cosplay e qual foi sua motivação?

Fiz meu primeiro cosplay em um evento chamado Geek Prime, em Brasília, e apesar de já frequentar eventos voltados para o mundo dos animes e quadrinhos há mais de 10 anos não me caracterizava por ter vergonha de aparecer ao público fantasiada, apesar de ser fascinada por isso. Já a minha maior motivação era enfrentar a timidez que há anos me impedia de ter esse hobby.

 

power girl - gleici barbosa 2
Crédito: Rodrigo Santos

Quais personagens já fez e como é definida a escolha de cada um? 

Adoro animes e o mundo das super heroínas, seja DC ou Marvel.  O meu primeiro personagem acabou sendo influenciado pelo anime que estava assistindo na época, a Black Rock Shooter, já os demais cosplays foram de personagens que conhecia a longa data e me atraiam por serem mulheres de personalidade forte, como a Elektra, a Power Girl e a Ravenna

Muito se fala sobre os cosplayers e algumas vezes não tão bem, já que infelizmente é muito comum discriminarem o diferente. Você já sofreu algum tipo de preconceito por ser cosplayer?

Acredita que não?! Realmente achei que uma mulher com seus 30 anos ao assumir esse lado iria enfrentar comentários do tipo “isso é para criança” entre outros, mas o que aconteceu foi o contrário, sempre fui muito bem recebida e as pessoas se amarram nas caracterizações e me perguntam sempre qual o próximo personagem ou próximo evento.  Meu namorado também curte esse universo,e apesar de não ser cosplayer ele sempre me ajuda nas caracterizações.

Black Rock Shooter - gleici barbosa
Crédito: Rodrigo Santos

Apesar de serem os que mais se destacam e encantam os eventos nerd, a vida de Cosplayer não é fácil e viver o tão sonhado personagem exige muito trabalho e dedicação. Quais são as maiores dificuldades para o cosplayer no Brasil?

No momento a falta de material para caracterização. Uma das maiores dificuldades, pelo menos em minha cidade (Brasília) é encontrar acessórios que possam compor fielmente o cosplay, cosmaker então… nunca encontrei um. A internet ajuda muito, mas em todos os casos eu tive que aprender em tutoriais a fazer os acessórios específicos de cada personagem. Mas para quem vai começar, a maior dificuldade é o dinheiro, já que para executar um cosplay pode gastar uma boa grana, dependendo do personagem escolhido.

Os personagens femininos estão em grande destaque atualmente, mas ainda são muito criticadas e o sexismo, o uso excessivo de sensualidade e suas roupas sempre são debatidos. Qual sua opinião sobre esta questão com relação aos personagens femininos no universo nerd e como encara o consequente assédio devido as vestimentas destes personagens?

elektra - gleici barbosa 2
Créditos: Rodrigo Santos

Como leitora, confesso que não observava esse “sexismo”, eu apenas lia. Mas quando comecei a escolher o personagem que eu iria representar, parei e pensei, “ué? Não vou vestir isso, ela ta quase pelada!” e observei que os personagens femininos não eram sensuais como eu encarava, e muitas vezes ali elas encarnam sim o objeto sexual ou apenas a namorada frágil do super herói e isso é um grande reflexo da nossa sociedade. Agora se isso vai mudar vai depender de como nós mulheres nos impormos diante desse machismo, prefiro focar nas qualidades de cada personagem e no espaço que as mulheres estão ganhando, nas HQ’s, séries e telas de cinema. Quando fiz a Elektra para a CCXP, observei os olhares e comentários direcionados a mim e a outros cosplayers, e confesso que ficava envergonhada. Mas atualmente o que  mais me chateia é o fato de exigirem que você seja parecida fisicamente com o personagem. Não deveria ser um problema se no caso de você estiver um pouco acima do peso, ou ter a cor diferente. O ruim é se tornar alvo de comentários maldosos e o que era para ser diversão e uma homenagem ao seu personagem favorito, ficar em segundo plano e o cosplayer ficar subordinado apenas ao personagem com quem se parece. isso sem contar que estes comentários preconceituosos não se restringem apenas no evento, mas se alastram nas redes sociais.

 

ravena - gleici barbosa 2
Créditos: Rodrigo Santos

A CCXP se tornou uma referência do segmento nerd no Brasil, mas existem diversos outros eventos regionais muito bem realizados. O que acha destes eventos? O que ainda falta? Existe uma boa estrutura para os cosplayers?

Participo sempre de dois eventos, o Geek Prime, em Brasília e CCXP em São Paulo. Para o Geek Prime que acontecerá em maio (27 a 29), o meu cosplay será a Chun li, do Street Fight, que graças a Deus não deixei para última hora e está prontíssimo! Meu ingresso para a CCXP já está garantido também, mas para esse evento ainda tenho tempo para escolher o personagem (risos). Acompanho por fotos e pela internet outros eventos que acontecem em São Paulo e Rio de Janeiro e estes parecem ser muito bem organizados, com uma estrutura melhor do que de outros estados. A CCXP está mostrando que esse tipo de evento tem potencial e que pode atrair um público diversificado que vai agradar crianças e adultos, e consequentemente trazer muitos patrocínios. Em Brasília, há um grande público e o setor já enxerga isso, só falta expandir e trazer mais atrações. Com relação aos cosplays o que atualmente vejo é que os eventos estão disponibilizando camarins apenas para cosplayers e espaços específicos para sua preparação, isso mostra que temos valor e também colaboramos para o sucesso do evento, porém o evento cosplay em si  ainda é deixado de lado, na CCXP 2015, por exemplo, as apresentações foram realizadas em um lugar improvisado e de difícil visualização, mas espero que corrijam a falha neste ano e que os cosplayers sejam reconhecidos e tenham o lugar de destaque que merecem.

E para finalizar que dica ou conselho você daria para quem está pensando em se aventurar neste universo?

Faça! Não importa se não ficar 100% fiel ao personagem, deixe a sua homenagem, mas sempre com sua personalidade. É extremamente gratificante quando uma criança ou qualquer pessoa te olhar e quer tirar uma foto ou elogia a sua caracterização e o seu trabalho, temos um extenso universo de personagens que pode ser explorado, e é muito divertido se tornar um deles mesmo que por um dia.

Confira algumas imagens abaixo e para conhecer mais sobre seu trabalho como cosplayer acompanhe Gleici nas redes sociais pelo Facebook e Instagram.

 

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