Segunda temporada melhora a fórmula da primeira, entrega lutas maiores e encontra na trilha sonora o combustível perfeito para Dante e Vergil
A segunda temporada de Devil May Cry, me divertiu muito mais do que a primeira. A série da Netflix continua tomando algumas liberdades enormes com os jogos da Capcom, mas parece ter entendido melhor o que faz essa franquia funcionar quando o assunto é Dante, Vergil, demônios e, principalmente, uma boa dose de pancadaria estilosa.
A primeira temporada já tinha personalidade própria, mas também dividia bastante opiniões justamente por se afastar do material dos games. A segunda continua seguindo seu próprio caminho, porém consegue aproximar a experiência daquilo que os jogadores esperam de Devil May Cry. E isso aparece principalmente quando Dante e Vergil começam a resolver seus problemas da maneira mais saudável possível: com espadas, poderes demoníacos e destruição generalizada.
A temporada também aumenta a escala. Dante, Vergil, Lady e os demais personagens entram em conflitos maiores, enquanto a ameaça demoníaca cresce até transformar as batalhas em verdadeiros espetáculos de ação. Críticas especializadas também destacaram essa evolução, apontando combates mais elaborados e referências visuais e de movimentos diretamente inspiradas nos jogos.
A trilha sonora é um personagem à parte
Mas existe um elemento que, para mim, rouba a cena em vários momentos: a trilha sonora.
Devil May Cry sempre teve uma identidade musical muito forte nos videogames, misturando rock, metal e músicas eletrônicas com aquela energia exagerada que combina perfeitamente com Dante. Na segunda temporada, essa característica ganha ainda mais força.
A música não está simplesmente acompanhando as lutas. Em vários momentos, ela parece empurrar a ação para frente. É aquele tipo de sequência em que você começa a prestar atenção não apenas no que está acontecendo na tela, mas também na música que está tocando enquanto Dante e companhia descem a porrada nos demônios.
E esse é um dos pontos em que a série mais me conquistou.
A trilha consegue recuperar aquela sensação de jogar Devil May Cry no momento em que você começa a dominar uma sequência de golpes e tudo parece acontecer no ritmo da música. Uma análise especializada chegou a destacar justamente a combinação entre as grandes cenas de ação e uma trilha considerada superior à da primeira temporada.
As lutas finalmente parecem um jogo
Se tem uma coisa que eu queria ver mais na primeira temporada, eram batalhas que realmente transmitissem a sensação de estar jogando Devil May Cry.
E aqui a produção melhora bastante.
As lutas estão maiores, mais criativas e, principalmente, mais próximas daquela linguagem exagerada dos games. Espadas voando, tiros, poderes demoníacos, personagens atravessando cenários e movimentos que parecem ter saído diretamente de uma cutscene ou de uma sequência de gameplay.
Não é uma adaptação literal dos jogos, e isso continua sendo importante deixar claro. A série constrói sua própria continuidade e muda acontecimentos, relações e personagens. Mas quando ela para de tentar explicar demais o universo e simplesmente deixa Dante ser Dante, é quando Devil May Cry fica mais divertido.
Até movimentos reconhecíveis pelos fãs aparecem em meio às batalhas, reforçando essa conexão com os jogos. Algumas análises também apontaram que as cenas de combate da segunda temporada estão mais elaboradas e fazem referências diretas a movimentos e momentos da franquia.

Dante e Vergil são o coração da temporada
E não tem como falar da segunda temporada sem falar dos irmãos.
A relação entre Dante e Vergil é um dos grandes motores da franquia nos videogames, e a série finalmente coloca os dois em uma posição de maior destaque. O contraste entre os irmãos funciona justamente porque eles são parecidos em alguns aspectos, mas completamente diferentes na maneira como enxergam poder, família e seus próprios destinos.
Quando os dois estão juntos em cena, existe uma tensão que não depende necessariamente de diálogo. Às vezes, basta um olhar ou a maneira como um reage ao outro para entendermos que aquela relação está muito longe de ser resolvida.
E quando eles finalmente partem para a luta, a série entrega alguns dos momentos mais interessantes da temporada.
É exatamente aquele tipo de confronto que quem jogou Devil May Cry queria ver.
A série ainda tem problemas
Isso não significa que a temporada seja perfeita.
O roteiro continua tomando decisões que podem incomodar quem conhece profundamente a história dos games. A adaptação tem uma continuidade própria e não deve ser encarada como uma simples versão animada dos acontecimentos dos jogos.
O ritmo também pode oscilar, especialmente em alguns momentos em que a história abandona a ação para desenvolver determinados núcleos. Algumas críticas apontaram justamente uma irregularidade de ritmo no meio da temporada, mesmo reconhecendo que a produção continua bastante divertida.
Outro ponto que continua gerando discussão é a maneira como Dante é tratado nas batalhas. Parte das críticas e da reação dos fãs questionou o fato de o personagem frequentemente terminar os confrontos em desvantagem, algo que contrasta com a imagem do Dante extremamente dominante dos videogames.
Para mim, porém, isso não apaga os momentos em que a série realmente acerta.
Quando Devil May Cry abraça o exagero, funciona
Talvez essa seja a principal diferença que senti entre as duas temporadas.
A primeira precisava apresentar sua versão desse universo. A segunda parece mais confortável em simplesmente ser Devil May Cry.
Quando a série coloca uma música pesada, joga Dante e Vergil em uma situação absurda e deixa os personagens resolverem tudo na base da espada e dos poderes demoníacos, eu compro completamente a ideia.
É justamente esse exagero que faz a franquia funcionar.
E algumas das cenas mais grandiosas da temporada chegam a parecer aquelas batalhas que você imaginaria controlando no videogame. A escala aumenta, os personagens fazem movimentos absurdos e a animação consegue transformar isso em espetáculo. Até análises mais críticas reconhecem que os grandes momentos de ação são um dos pontos fortes da temporada.
Nota NãoSei Criticar: 8,5/10 🎮
Gostei mais que a primeira, principalmente pela evolução das lutas, pela trilha sonora e pela aproximação com a energia dos games, mas ainda há algumas escolhas de roteiro que impedem uma nota maior.














Deixe uma resposta