Luca

Luca | Crítica

Silencio Bruno! Que aí vem a crítica de Luca!! A nova animação estreou diretamente no streaming Disney+ em 18 de junho de 2021, já incluso no pacote regular de assinatura. O lançamento da Pixar não entra em discussões tão profundas e existenciais como seus predecessores, mas talvez por isso mesmo seja até mais atraente para o público infantil.

O filme traz várias mensagens, o que possibilita uma maior identificação do público com a animação, seja por quebrar preconceitos, mostrar você pode ser e acreditar em si mesmo, a importância da família (a de sangue ou a criada pelos laços da amizade), a força da amizade para o empoderamento dos excluídos ou sobre como calar a voz do medo e perseguir seus objetivos.

A ambientação inspirada na região onde nasceu e cresceu o diretor, Enrico Casarosa, é lindamente executada. Ao ter acesso às imagens do local original é impressionante a riqueza de detalhes que vai desde o formato das casas, as roupas estendidas nos varais das janelas até a sombra que uma construção gera na outra. O conceito de atenção aos detalhes, um dos dogmas da Disney, executado a perfeição.

O enredo de Luca é simples, mas adorável. Impossível não torcer pelos “underdogs” e criar um certo ranço pelo “vilão” Ercole Visconti. Mas como é característico dos filmes da Disney-Pixar, existem outras camadas que talvez sejam mais facilmente acessadas pelos adultos do que pelas crianças. O preconceito com o desconhecido, que vale tanto para o povo da terra quanto para o povo do mar é um exemplo. O abandono parental é outro.

Criticado pela escassez de easter eggs ainda é possível identificar facilmente alguns deles: a referência ao clássico Pinóquio em um dos livros da Giulia, a pelúcia do pato Donald também em seu quarto, o ticket de embarque para Genova com o número A113 fazendo referência à sala do California Institute of Arts onde trabalharam muitos nomes importantes da Pixar, e claro, a famosa bola da Pixar que aparece no telhado em uma das cenas da corrida de bicicleta e a discreta aparição de uma vespa adaptada da Pizza Planet.

Atualmente existe um burburinho sobre a obra ser ou não LGBTQIA+. O diretor afirmou que ela não é uma bandeira levantada pelo filme, mas alguns espectadores identificam as questões de aceitação como uma alegoria para a orientação sexual dos personagens. É bom lembrar que uma das qualidades da obra de arte é justamente a abertura a interpretações que ela proporciona. Ela não precisa ser criada especificamente com essa intenção para conseguir provocar uma visibilidade sobre a comunidade LBTQIAP+ e discussão saudável sobre o tema.

Seja vista como representativa por possuir um personagem animado gay ou se seu tema principal for a amizade entre amigos, o mais relevante é a capacidade que o filme, mesmo com sua simplicidade, tem de promover a identificação com o público, que é a chave para o sucesso de qualquer obra.

Luca

Talvez Luca não seja marcante o suficiente para entrar no hall dos filmes lendários da Disney-Pixar mas foi uma obra bem acertada e bem recebida pelo público em geral. 

E lembrem-se sempre: SILENZIO, BRUNO!

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