Crítica – Ben-Hur

Em 1960 foi lançado o filme Ben-Hur, o maior ganhador de estatuetas do Oscar de todos os tempos, um filme magnífico que marcou época e até hoje é lembrado e cultuado por adoradores da sétima arte, mas não vou comparar a nova produção Ben-Hur (2016) com o filme de William Wyler, não é minha intenção fazer isso neste texto. Vou falar apenas de Ben-Hur do diretor Timur Bekmambetov, que chega aos cinemas nesta quinta-feira e que superou minha expectativa (que era baixa) e chegou a me emocionar em alguns momentos.

No longa Judah Ben Hur (Jack Huston) é um nobre, contemporâneo de Jesus Cristo (Rodrigo Santoro), é injustamente acusado de traição, ele é condenado à escravidão. Ele sobrevive ao tempo de servidão e descobre que foi enganado por seu irmão, Messala (Toby Kebbell), partindo, então, em busca de vingança. É assim que começa esse épico que mostra o poder de repulsão de dois pensamentos diferentes, dois “irmãos” que se amam, mas que acabam se separando e encarando graves consequências por suas diferenças de crença e opinião.

Essas diferenças são muito bem representadas durante todo o filme, em alguns momentos é possível até mesmo esquecer o cunho religioso que a história carrega, já que o diretor Timur Bekmambetov conseguiu dividir muito bem os dois lados, mostrando um Romano que tinha seus deveres com o Império e um Judeu que tinha seus deveres com seu povo. Mostrando que todos estavam certos e errados ao mesmo tempo, deixando em alguns momentos o espectador decidir o que estava certo e o que estava errado. As referências religiosas existem no longa, mas são deixadas um pouco de lado em boa parte do filme o que faz com que as diferenças dos irmãos e as dificuldades que cada um passava como o centro da história, fato que deixou o tom do filme mais real e palpável.

Jack Huston (Ben-Hur) consegue prender a sua atenção e está muito bem no papel do protagonista, junto com Rodrigo Santoro (Jesus de Nazaré) que aparece em momentos pontuais do longa, com frases curtas, mas que fazem sentido para a jornada de Ben-Hur. Sempre bem contextualizado o personagem de Santoro traz não somente a parte religiosa, mesmo porque é mostrado como um líder humanitário, alguém traz a paz para aquele mundo de caos, até mesmo para o mundo do protagonista. As aparições de Jesus durante o filme são importantes para a evolução de Ben-Hur o que torna o coadjuvante uma das principais peças do roteiro.

O ponto baixo de Ben-Hur foi Toby Kebbell como Messala, o irmão de Ben-Hur, principalmente nos momentos em que o ator tinha a chance de passar a carga dramática que o personagem exige. Em algumas cenas era possível ver que houve uma dublagem por cima da cena, já que parecia que os atores estavam gritando enquanto a voz sussurrava. E o 3D poderia facilmente ser tirado, já que não apresenta um imersão nas cenas.

Ben-Hur é um filme que vai surpreender aqueles que não estão esperando muito dele, com bons diálogos e muitos momentos emocionantes o filme vale sim o ingresso. Mas lembre-se, não compare com o maravilhoso filme de 1960.

Nota: classificacao-positiva

Sinopse: BEN-HUR é a história épica de Judah Ben-Hur (Jack Huston), um príncipe falsamente acusado de traição por seu irmão adotivo Messala (Toby Kebbell), um oficial do exército romano. Destituído de seu título, afastado de sua família e da mulher amada (Nazanin Boniadi), Judah é forçado à escravidão. Depois de muitos anos no mar, Judah retorna à sua pátria em busca de vingança, mas encontra a redenção. Baseado no romance clássico de Lew Wallace, Ben-Hur: Uma História dos Tempos de Cristo. O filme também é estrelado por Morgan Freeman como Sheik Ilderim e Rodrigo Santoro como Jesus Cristo.

1 thought on “Crítica – Ben-Hur

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: