A terceira temporada de Round 6 aposta em um ritmo mais frenético e emocional, misturando drama pesado com sequências de ação muito mais trabalhadas do que no ano anterior. Se antes a série era mais contida e focada no psicológico dos personagens, agora ela abraça de vez um tom quase de thriller, com perseguições, confrontos e mortes que deixam impacto imediato no espectador.

O segundo episódio é, sem dúvida, o ponto alto desse começo de temporada. As mortes são chocantes, bem construídas e lembram exatamente o que fez Round 6 estourar lá atrás: o impacto direto, o choque emocional e a sensação de que ninguém está realmente seguro. A série acerta ao não suavizar a brutalidade e ao usar essas perdas para reforçar a vulnerabilidade dos personagens, algo que havia diminuído um pouco na temporada anterior.

O grande problema da terceira temporada aparece justamente quando a trama decide crescer demais. O gancho para transformar Round 6 em um fenômeno mundial dentro do próprio universo, sugerindo jogos espalhados globalmente e uma teia muito maior do que imaginávamos, acaba tirando bastante da força da jornada de Gi-hun.

O protagonista, que sempre foi o coração emocional da série, agora parece pequeno demais perto desse novo “macro enredo”. A história tenta fazer tudo grande, ambiciosa, cheia de implicações internacionais, mas perde algo essencial: a sensação íntima de desespero e humanidade que guiava Gi-hun.

Há momentos em que parece que a série está mais preocupada em criar um “universo cinematográfico” do que em contar uma história coesa e centrada.

Apesar da ação melhor trabalhada e do peso dramático que volta a marcar presença, a série nem sempre sabe onde colocar seu foco. Gi-hun é constantemente empurrado para segundo plano, enquanto as grandes revelações e movimentos estratégicos ficam nas mãos de novos personagens que ainda não carregam a mesma força emocional.

A 3ª temporada de Round 6 entrega ação, impacto e momentos realmente memoráveis, especialmente no início. O drama funciona, as mortes marcantes chocam, e a direção está mais confiante. Porém, a tentativa de expandir o universo para algo global enfraquece o percurso do protagonista e deixa a narrativa um pouco dispersa.

Ainda assim, para quem ama o clima tenso, imprevisível e emocional da série, esta temporada traz vários motivos para continuar assistindo, só talvez não com o mesmo envolvimento pessoal que a jornada original oferecia.