Inspirado nas tradições iorubás, Contos dos Orixás transforma figuras sagradas em heróis poderosos, misturando mitologia, cultura e arte de forma épica e visualmente arrebatadora.
Em Contos dos Orixás, o quadrinista Hugo Canuto reinventa os Orixás, divindades africanas presentes no candomblé e em outras religiões de matriz africana, como figuras heroicas em uma narrativa que mistura fantasia, ação e mitologia. A história se passa em um mundo fantástico inspirado no continente africano, onde Orixás como Xangô, Iansã, Oxóssi e Ogum enfrentam forças das trevas para proteger a humanidade e restaurar o equilíbrio entre os reinos.
Orixás como super-heróis: uma narrativa poderosa e culturalmente rica
O grande trunfo de Contos dos Orixás está na forma como Hugo Canuto une ancestralidade e cultura afro-brasileira com a linguagem dos quadrinhos de super-herói. A história é envolvente, com ritmo cinematográfico e diálogos que equilibram ação, espiritualidade e emoção. Cada personagem é tratado com respeito e profundidade, trazendo à tona os arquétipos heroicos presentes nas mitologias africanas de maneira acessível e empolgante.
Xangô, o Orixá da justiça, surge como uma figura de liderança e força. Iansã domina os ventos e relâmpagos com personalidade e poder. Ogum, o guerreiro, e Oxóssi, o caçador, completam esse verdadeiro “panteão dos heróis”. É impossível não fazer paralelos com universos como Marvel ou DC mas com um toque original, genuinamente brasileiro e afrocentrado.

A arte de Hugo Canuto: um espetáculo à parte
Visualmente, Contos dos Orixás é um deslumbre. A arte de Hugo Canuto é detalhada, vibrante e cheia de simbologia. Cada quadro é uma pintura digna de exposição, com cores fortes, expressões marcantes e cenários que misturam fantasia e cultura africana com maestria. A estética remete aos grandes épicos da nona arte, mas com uma identidade visual única, que respeita e celebra as raízes afro-brasileiras.
Canuto consegue equilibrar momentos de pura ação com cenas contemplativas, transmitindo tanto a força quanto a espiritualidade dos Orixás. É um trabalho autoral com alma e isso transborda em cada página.
Veredito: um marco nos quadrinhos brasileiros
Contos dos Orixás não é apenas um quadrinho bonito: é um marco cultural. Ele celebra a diversidade, dá voz a uma mitologia muitas vezes marginalizada e prova que nossas histórias ancestrais podem e devem ser contadas com heroísmo, grandiosidade e orgulho. Uma leitura indispensável para quem ama quadrinhos, cultura afro-brasileira e boas histórias.
