Depois de anos flertando com a ação desenfreada, a franquia encontrou um novo caminho com Resident Evil 7: Biohazard, lançado pela Capcom, o game marcou um verdadeiro reinício na série com novo protagonista e uma proposta muito mais intimista e assustadora.
Jogamos a versão de PS4, incluindo algumas horas no PlayStation VR, e posso dizer com “tranquilidade” que esse foi o retorno que o survival horror precisava, mesmo com os sustos e medo do player que vos fala.
Um novo protagonista, uma nova identidade
Esqueça heróis treinados e especialistas militares, aqui controlamos Ethan Winters, um homem comum em busca de sua esposa desaparecida. Essa escolha muda completamente o tom da experiência, Ethan não é um super soldado. Ele sente medo, e nós sentimos junto. A decisão de colocar a câmera em primeira pessoa foi arriscada, mas extremamente acertada. A imersão é brutal, e a vulnerabilidade do personagem reforça o terror. Esse novo começo não ignora o passado da franquia, mas constrói algo diferente, mais cru e mais focado no horror psicológico.
Gameplay que resgata o verdadeiro survival horror
Se você sentia falta de administrar munição, escolher cuidadosamente quando atirar e explorar ambientes tensos com inventário limitado, aqui você está em casa. Resident Evil 7 desacelera o ritmo e aposta na tensão constante. Cada corredor escuro da mansão dos Baker é um convite ao pânico. O design de som é impecável passos, portas rangendo, ruídos distantes tudo contribui para uma atmosfera sufocante.
A estrutura lembra os clássicos da franquia com backtracking, chaves específicas, quebra-cabeças e exploração metódica. Mas tudo modernizado, fluido e com controles muito responsivos no PS4. É o tipo de jogo que não quer que você se sinta poderoso quer que você sobreviva.
Atmosfera e direção: terror intimista e perturbador
A ambientação é um espetáculo à parte. A casa da família Baker é praticamente um personagem. Cada detalhe mofo nas paredes, iluminação precária, sons abafados constrói uma sensação constante de desconforto. A direção artística aposta menos em explosões e mais em silêncio e claustrofobia. E funciona. Muito.
Um ótimo plot no final (sem spoilers)
A história começa simples, você precisa encontrar Mia, mas conforme avançamos, os mistérios se aprofundam e as revelações elevam a narrativa. O ato final entrega um plot impactante, que amarra os acontecimentos de forma inteligente e ainda reconecta a franquia ao seu universo maior sem parecer forçado. É aquele tipo de conclusão que faz você parar e pensar: “ok, isso foi muito bem construído”.
Jogar no PS4 já é intenso… no VR é assustador de verdade
Testar o jogo no PlayStation VR foi uma das experiências mais imersivas que já tive com terror. A sensação de estar fisicamente dentro da casa dos Baker é absurda. A proximidade dos inimigos, os corredores estreitos, os sustos tudo fica multiplicado. Mesmo com pequenas limitações gráficas naturais do VR da época, a imersão compensa qualquer detalhe técnico. É medo puro.
Se no PS4 tradicional já é tenso, no VR é quase insuportável no melhor sentido possível.
Gráficos e desempenho no PS4
Visualmente, o jogo impressiona pela direção de arte mais do que pelo realismo bruto. Não é o título mais bonito da geração, mas a iluminação dinâmica e o cuidado com detalhes ambientais fazem toda a diferença. O desempenho no PS4 é sólido, com boa estabilidade e carregamentos discretos. Nada que comprometa a experiência.

Vale a pena jogar Resident Evil 7?
Se você queria um retorno às raízes da franquia, mas com coragem para inovar, a resposta é sim. Resident Evil 7 não apenas reinicia a série ele redefine o que Resident Evil pode ser. Traz de volta o medo, a escassez, a tensão e ainda apresenta um protagonista que, mesmo diferente dos clássicos, funciona muito bem dentro da proposta.
É o tipo de reinício que respeita o passado, mas não tem medo de mudar.
Plataforma testada: PlayStation 4 (incluindo sessões em PSVR)
