Quando a Resident Evil 3 chegou como remake do clássico de 1999, a expectativa estava nas alturas. Afinal, a Capcom vinha de um enorme sucesso com Resident Evil 2, que conseguiu modernizar o survival horror sem perder a essência do original. Mas aqui vai a verdade dolorida: Resident Evil 3 Remake não segue o mesmo caminho, e isso pesa bastante.
Uma Raccoon City apressada demais
A ambientação continua competente. A nova versão de Raccoon City é tecnicamente bonita, detalhada e mais verticalizada. A iluminação, os efeitos de fogo e a destruição ajudam a criar um clima caótico. O problema? Ela dura pouco.
Grande parte das áreas exploráveis do jogo original simplesmente desapareceu. Locais icônicos foram reduzidos ou removidos, e o que deveria ser uma fuga desesperada pela cidade se transforma em uma experiência linear e acelerada demais. Enquanto o remake de RE2 expandia possibilidades e criava novas camadas de tensão, RE3 parece cortar conteúdo em vez de aprofundar.
Nemesis perdeu a essência
O grande vilão, Nemesis, sempre foi o diferencial do jogo original. Imprevisível, opressor, constante ameaça. Nesse remake ele virou quase um “evento roteirizado”. Ao contrário do que vimos com Mr. X em RE2 Remake, que perseguia o jogador dinamicamente, Nemesis surge majoritariamente em momentos scriptados. Isso reduz drasticamente o terror e transforma encontros que deveriam ser angustiantes em sequências de ação previsíveis.
O jogo troca survival horror por ação cinematográfica.
Jill Valentine: carisma forte, roteiro raso
A nova versão da Jill Valentine é mais confiante e sarcástica, com uma personalidade mais marcante do que na versão original. Isso funciona em parte a protagonista tem presença. Mas o roteiro simplifica demais o desenvolvimento dos personagens. Relações importantes perdem peso, e momentos dramáticos parecem apressados. Carlos Oliveira, por exemplo, ganha mais tempo de tela, mas ainda assim o arco narrativo não atinge o impacto que poderia.
Jogabilidade refinada, mas pouco aproveitada
Tecnicamente, o gameplay é sólido. O sistema de esquiva é um acréscimo interessante, deixando o combate mais dinâmico, a movimentação é fluida, os tiros têm impacto e o controle responde bem, só que falta profundidade. Puzzles são simplificados, exploração é limitada e o ritmo é acelerado demais para um jogo que deveria apostar na tensão.

Duração curta e sensação de conteúdo cortado
Um dos maiores problemas é a duração, em poucas horas é possível terminar a campanha. Para um remake vendido a preço cheio, isso gera frustração. A comparação com o trabalho minucioso feito em RE2 é inevitável e RE3 sai perdendo.
Gráficos e som: alto nível padrão Capcom
Se há algo que não decepciona é a parte técnica, o RE Engine continua impressionando. Modelos faciais, iluminação e efeitos sonoros mantêm a imersão, mas qualidade técnica sozinha não sustenta um remake que deixa de lado partes fundamentais da experiência original.
Resident Evil 3 Remake vale a pena?
Se você busca um jogo de ação rápido, com ótima produção e ambientação competente, ele pode funcionar. Mas se a expectativa é reviver a essência do clássico com o mesmo cuidado dedicado a RE2 Remake, a decepção é quase inevitável.
Resident Evil 3 Remake não é um jogo ruim, ele é competente. O problema é que poderia ter sido muito mais, um remake tecnicamente competente, mas criativamente inferior ao que a própria Capcom mostrou ser capaz de fazer.
